Sustentabilidade e patrimônio cultural
Pesquisa, projeto, reforma, restauro e recebimento de imóveis

Ensino de arquitetura e o patrimônio histórico

Praça D. Duarte, ViseuA incapacidade da arquitetura e principalmente do urbanismo modernistas de criar cidades propícias à vida humana é bem conhecida e foi proclamada desde os anos 50, a ponto de se tornar um consenso no mundo civilizado — como sempre, o nosso país tem algumas décadas de atraso no assunto — e de alavancar o surgimento de tendências alternativas, principalmente o pós-modernismo em arquitetura e o Novo Urbanismo. Já as limitações específicas do ensino modernista em arquitetura foram reconhecidas mais recentemente.

A Declaração de Viseu, assinada em 2004, é a carta de princípios de uma conferência de urbanistas europeus quanto à formação de futuros arquitetos. A declaração tem como objetivo reformar o ensino de arquitetura, de modo que as conquistas teóricas que superaram o modernismo sejam diretamente incorporadas à formação dos estudantes. Isso porque, na esfera acadêmica, freqüentemente se perpetuam os mesmos princípios e dogmas do modernismo canônico que comprovadamente causaram a degradação do ambiente urbano nos últimos 60 anos. Enquanto o marco teórico foi reformado por diversos arquitetos e críticos, alguns dentro da própria academia, o ensino ainda se dá essencialmente com base numa didática antiquada, onde conceitos estranhos à disciplina — utopia, modernidade e sociologia são alguns dos temas mais populares — continuam a ter precedência sobre o que é verdadeiramente território da arquitetura — construção, utilidade e estética. Ao mesmo tempo, perde-se tempo e energia discutindo meros detalhes do ensino de arquitetura, como saber se o CAD é ferramenta de projeto ou simplesmente um instrumento de desenho.

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Minha Casa, Minha Vida: Lição de economia contra o estatismo

Uma notícia veiculada hoje no Correio Braziliense vem jogar um balde de água fria no interesse social do programa Minha Casa, Minha Vida, e também dar uma pequena lição de microeconomia a todos. Segundo a notícia, os subsídios e financiamentos especiais do programa contribuíram para uma explosão nos preços de imóveis no Distrito Federal e entorno.

Não sou economista de formação, mas devo ter herdado algum gene econômico dos meus pais e avô. Na faculdade, procurei incluir uma matéria de microeconomia entre as minhas optativas. Uma das coisas que aprendi é que na economia capitalista, o livre-mercado sempre dá um jeito de contornar as tentativas do Estado de torná-lo menos livre.

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Intolerâncias urbanas

A maioria das cidades brasileiras tem que lidar constantemente com abusos urbanísticos das mais variadas formas. Eles vão desde ilegalidades flagrantes diante da legislação vigente até o desvirtuamento de normas em face de interesses imobiliários e empresariais imediatistas — com a conivência das prefeituras e câmaras de vereadores. Não é à toa que neste país se desejam predominantemente duas coisas: leis honestas, e fiscalização para que elas sejam cumpridas.

Lago Sul de Brasília

Brasília é, como em muitos aspectos, um caso à parte. Claro que temos nossa cota de abusos, como todas as outras. Mas, para comprovar o velho ditado de que é preciso tomar cuidado com o que se deseja, também conhecemos na prática o que acontece na situação oposta, quando o fervor legalista corre solto.

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Comunidade discute Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília

A SEDUMA (Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do Distrito Federal) anuncia a realização de cinco audiências públicas para discussão do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília. Cada audiência será direcionada a um dos bairros pertencentes ao perímetro de tombamento: Asas Norte e Sul, Cruzeiro, Octogonal, Candangolândia e área central do Plano Piloto.

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Tombamento do centro histórico de Planaltina

Este relatório técnico foi encaminhado ao IPHAN para motivar o pedido de tombamento do centro histórico de Planaltina, encaminhado pela Associação dos Amigos do Centro Histórico em nome da comunidade.

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Pela reconstrução do Palácio Monroe

Já comentei em outra ocasião (no post Diferença entre um patrimônio histórico e um edifício descartável) sobre o triste destino do Palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal no Rio de Janeiro, demolido em 1976 com a conivência de Lucio Costa. Pois ontem o leitor Antonio Veronese publicou (graças à Internet, que permite não só um mais amplo acesso à informação, mas também um mais amplo acesso aos veículos de imprensa) uma coluna no jornal O Globo intitulada Pela reconstrução do Palácio Monroe.

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Gestão de resíduos na Folha de S. Paulo

A arquiteta do Ábaco Juliana Gehlen foi entrevistada para a realização de reportagem publicada na Folha de S. Paulo de 23/08/2009 sobre separação de resíduos em canteiro de obras.

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Conflito de interesses: patrocinadores da arquitetura modernista

É sempre suspeito quando a indústria farmacêutica patrocina pesquisas, médicos, ou eventos. E quando uma fundação que promove uma ideologia da arquitetura modernista, industrializada e efêmera, é patrocinada por empresas que atuam na industrialização e na obsolescência programada dos materiais?

Fiquei encucado com isso quando soube da transferência do Docomomo Internacional para Barcelona. Enquanto que ONGs culturais costumam ser patrocinadas por todo tipo de grandes empresas (petrolíferas, bancos, etc.), a Fundação Mies van der Rohe, que abrigará o Docomomo daqui para a frente, tem a peculiaridade de ser patrocinada exclusivamente por empresas que têm como premissa de suas atividades a industrialização e a efemeridade da arquitetura.

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Sustentabilidade segundo Léon Krier

O croquis ao lado é do arquiteto luxemburguês Léon Krier, e foi publicado numa coluna sobre sustentabilidade na arquitetura universitária. O desenho é tão objetivo que dispensa explicações.

A degradação rápida da arquitetura moderna, com todos os seus “avanços” tecnológicos, está aí para todo mundo comprovar. Por causa disso é que surgiram iniciativas como o Docomomo. Agora vamos pensar, considerando todo o ciclo de vida: o que é mais sustentável, um edifício tradicional que durou 500 anos até agora (ou mais, há edifícios ainda habitados na Itália que datam do Império romano), ou um edifício “verde” construído segundo os paradigmas efêmeros da tecnologia construtiva dominante nos dias de hoje?

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Papai-arquiteto sabe tudo? O discurso arquitetônico desprezando o leigo

Este post foi inspirado numa discussão que ocorreu recentemente na lista arquitetura@yahoogrupos. Um dos aspectos do debate (não o único, e não necessariamente o mais importante para todos os envolvidos) era a aceitação social de edifícios construídos com contêineres, e até que ponto esse estigma estético deve ser levado em conta pelo arquiteto. Em outros termos, o projeto arquitetônico deve levar em consideração as expectativas, e até mesmo os preconceitos estéticos, dos usuários leigos, ou deve o arquiteto fazer aquilo que ele, individualmente, considera mais apropriado?

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Diferença entre um patrimônio histórico e um edifício descartável

Hoje vamos tentar descobrir como os arquitetos distinguem entre um edifício histórico, que merece ser preservado, e outro que pode ser demolido sem que se perca nada de importante.

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