Diferença entre um patrimônio histórico e um edifício descartável
Hoje vamos tentar descobrir como os arquitetos distinguem entre um edifício histórico, que merece ser preservado, e outro que pode ser demolido sem que se perca nada de importante.
A primeira foto é do Grupo Escolar Marchesi, em Pisa, obra do arquiteto italiano Luigi Pellegrini construída em 1972 e atualmente ameaçada de demolição pela prefeitura da cidade. A Fundação Bruno Zevi lançou um abaixo-assinado contra a demolição que já conta com o apoio de vários arquitetos e da prestigiosa revista Abitare.
A segunda é do Palácio Monroe, projetado por Francisco Marcelino de Souza Aguiar, construído como pavilhão do Brasil na exposição universal de Saint Louis em 1904 e reconstruído no Rio de Janeiro em 1906 (interessante comparar com a proposta para o nosso pavilhão na exposição universal de Shanghai, no ano que vem). Foi sede do senado brasileiro. Apesar da mobilização da sociedade, o edifício foi demolido em 1976 graças a uma colusão de interesses entre Lucio Costa (que deu um parecer contrário ao tombamento por razões ideológicas), o jornal O Globo, e o presidente da República Ernesto Geisel (que tinha como desafeto o filho do autor do projeto). O site Alma Carioca relata essa história com detalhe e objetividade.
Percebe-se facilmente como o primeiro edifício é amado e respeitado pela população local, e como o segundo é totalmente desprovido de qualquer interesse estético ou histórico.
Tudo bem, falando sério agora. O zelo ideológico que fez o grande Lucio Costa se opor à preservação do Palácio Monroe é raro nos dias de hoje em que os modernistas militantes são poucos (o que não garante que todos os belos edifícios antigos sejam de fato preservados, isso continua sendo uma luta inglória). Mas será que o zelo em preservar a escola Marchesi é motivado por um interesse da sociedade nesse tipo de arquitetura, ou será apenas um outro movimento de modernistas militantes? Alguém saberia me informar se está ocorrendo um verdadeiro debate quanto ao valor arquitetônico do edifício, ou se a Fundação Zevi está apenas querendo impressionar pelas assinaturas colhidas?
Comentários
Divulgação
Leia matéria em meu blog de como utilizar a arte para criar uma consciência de preservação do patrimônio histórico material e imaterial. Caso Município de Senador Pompeu, Ceará. Leia, comente e divulgue:http://www.valdecyalves.blogspot.com/
Pobre Monroe...
A demolição do Palácio da Cinelândia é indefensável e criminosa. Meus 39 anos me permitiriam, ainda pequenino, ter visto e me deslumbrado com o Monroe, mas se o vi algum dia, não me lembro, eu tinha 5 anos quando ele se foi. Minha memória infantil mais remota é de um carnaval na Av. Rio Branco no colo do meu saudoso pai. Me sinto roubado. Belo edifício.
Tenho uma foto dele de um ângulo singular (visto da rua Santa Luzia). Quem tiver um blog sobre Rio antigo e quiser publicar, basta entrar em contato. lz.claudio@terra.com.br
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