abril 2010

Aniversário do urbanismo esquizofrênico

Centro Cultural Banco do BrasilHoje celebramos os 50 anos da inauguração de Brasília. A conjunção astral dessa efeméride com os eventos desse baixo mundo resultou, como de costume, na renúncia a toda e qualquer racionalidade na discussão urbanística dos últimos dias. Por isso, vou me abster de comentar sobre o projeto original, sobre a épica construção da cidade pelos candangos, e de tudo o que está na moda. Quem quiser ler sobre tudo isso que abra o jornal.

Os escândalos políticos dos últimos meses deflagraram uma reação visceral na mídia brasiliense, e não se sabe até que ponto ela reflete a opinião geral da sociedade. A campanha contra a intervenção federal no DF é a principal bandeira levantada, entre outros, pelo Correio Braziliense. Por trás dela vieram mil outras demonstrações de fidelidade eterna, num trem puxado pela eterna brasiliete Conceição Freitas, colunista do mesmo jornal.

Ensino de arquitetura e o patrimônio histórico

Praça D. Duarte, ViseuA incapacidade da arquitetura e principalmente do urbanismo modernistas de criar cidades propícias à vida humana é bem conhecida e foi proclamada desde os anos 50, a ponto de se tornar um consenso no mundo civilizado — como sempre, o nosso país tem algumas décadas de atraso no assunto — e de alavancar o surgimento de tendências alternativas, principalmente o pós-modernismo em arquitetura e o Novo Urbanismo. Já as limitações específicas do ensino modernista em arquitetura foram reconhecidas mais recentemente.

A Declaração de Viseu, assinada em 2004, é a carta de princípios de uma conferência de urbanistas europeus quanto à formação de futuros arquitetos. A declaração tem como objetivo reformar o ensino de arquitetura, de modo que as conquistas teóricas que superaram o modernismo sejam diretamente incorporadas à formação dos estudantes. Isso porque, na esfera acadêmica, freqüentemente se perpetuam os mesmos princípios e dogmas do modernismo canônico que comprovadamente causaram a degradação do ambiente urbano nos últimos 60 anos. Enquanto o marco teórico foi reformado por diversos arquitetos e críticos, alguns dentro da própria academia, o ensino ainda se dá essencialmente com base numa didática antiquada, onde conceitos estranhos à disciplina — utopia, modernidade e sociologia são alguns dos temas mais populares — continuam a ter precedência sobre o que é verdadeiramente território da arquitetura — construção, utilidade e estética. Ao mesmo tempo, perde-se tempo e energia discutindo meros detalhes do ensino de arquitetura, como saber se o CAD é ferramenta de projeto ou simplesmente um instrumento de desenho.

Minha Casa, Minha Vida: Lição de economia contra o estatismo

Uma notícia veiculada hoje no Correio Braziliense vem jogar um balde de água fria no interesse social do programa Minha Casa, Minha Vida, e também dar uma pequena lição de microeconomia a todos. Segundo a notícia, os subsídios e financiamentos especiais do programa contribuíram para uma explosão nos preços de imóveis no Distrito Federal e entorno.

Não sou economista de formação, mas devo ter herdado algum gene econômico dos meus pais e avô. Na faculdade, procurei incluir uma matéria de microeconomia entre as minhas optativas. Uma das coisas que aprendi é que na economia capitalista, o livre-mercado sempre dá um jeito de contornar as tentativas do Estado de torná-lo menos livre.

 

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