Mercado imobiliário e arquitetura tradicional
Mais uma patada nas teorias conspiratórias de Lord Richard Rogers of Riverside, par de Bretanha: a Prince’s Foundation for the Built Environment, organização criada pelo Príncipe Charles e agora conselheira da incorporadora Qatari Diar no polêmico projeto habitacional do qual Richard Rogers foi recentemente apeado, realizou uma oficina resultando num estudo de viabilidade preliminar para o empreendimento. Resultado: segundo a colunista da revista de mercado imobiliário Property Week Mira Bar-Hillel, em artigo publicado ontem, reproduzindo o urbanismo tradicional de Londres será possível construir mais unidades habitacionais do que no projeto modernista de Rogers, e isso com gabarito mais baixo e considerando uma reserva de espaço público.
Não se fala ainda em previsão de custos, mas com certeza o neo-modernismo high-tech de Rogers, se bem especificado e construído (o que sempre acontece na Europa, ao contrário do Brasil), sairia tão caro quanto o detalhamento clássico e georgiano de casas e edifícios de apartamentos londrinos tradicionais.
Que isso sirva de lição definitiva para o velho (e irracional) argumento de que a arquitetura modernista é por natureza mais eficiente e apropriada para a sociedade capitalista contemporânea. As armas do século XVIII podem não servir para lutar nas guerras do século XXI, mas a arquitetura do século XVIII (com o acréscimo de água encanada e luz elétrica) mostra-se perfeitamente adequada às necessidades do mercado imobiliário do século XXI.
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