Atualizações: Livraria Cultura e Richard Rogers X Príncipe Charles
A Livraria Cultura entrou em contato comigo sobre a queixa que relatei no post anterior, e tem novas perspectivas sobre a disputa entre o príncipe clássico e o arquiteto modernista.
Livraria Cultura
Continuo discordando da política da Livraria Cultura de impedir os clientes de copiarem informações de livros em nome da proposta comercial da empresa, relatada neste post contando a experiência que tive lá semana passada. Mas apreciei a iniciativa inteligente da loja para não perder o cliente e a venda, sinal muito claro de que a política da livraria é ser rígida com as normas, mas atenciosa com o consumidor. A livraria me enviou, sem cobrar frete, os livros que eu queria comprar no dia do ocorrido, e dos quais tinha acabado desistindo de birra. Muito simpático da parte deles, especialmente se considerarmos que poucos estabelecimentos comerciais no Brasil têm esse padrão de elegância e atenção.
Príncipe Charles X Richard Rogers
Simon Jenkins, em editorial no London Evening Standard, revisita a disputa pelo projeto de Chelsea Barracks entre o Príncipe Charles e o arquiteto Richard Rogers. Para acompanhar o desenrolar da história, veja este post e este outro.
Jenkins expõe a hipocrisia do arquiteto, por sinal enobrecido pela própria família real como Baron Rogers of Riverside, dono de uma cadeira no vitalício senado britânico, a Câmara dos Lordes, que na verdade é quem começou usando sua própria influência política (além de parlamentar, Rogers é assessor especial da prefeitura de Londres) para tentar emplacar um projeto que não respeitava as diretrizes urbanísticas da área.
Se ele conhecesse a famosa citação de Lucio Costa sobre o projeto do MEC de 1936, certamente teria gostado: Lucio escreveu certa vez que a realização do primeiro edifício monumental modernista no Brasil “só foi possível na medida em que desrespeitou tanto a legislação municipal vigente, quanto a ética profissional e até mesmo as regras mais comezinhas do saber viver e da normal conduta.” Pode-se discutir se mesmo uma grande obra de arquitetura como o Palácio Capanema justifica a atitude antiética que a tornou possível. Que dizer então do projeto padronizado, medíocre e pouco original de Rogers.
O consolo é saber que não é só no Brasil que os senadores se metem em negociatas escusas. Cadê o nosso Príncipe Charles?
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