Livraria Cultura mesquinha

Vou boicotar a Livraria Cultura? Só por alguns meses. Vou organizar campanhas de panfletagem? Não, isso é legalmente arriscado num país em que qualquer “ai” é crime de difamação. Mas que a atitude da Livraria Cultura em Brasília é irritante e mesquinha, isso é.

Sexta-feira passada fui à Livraria Cultura, em Brasília, levar minha mãe para comprar o presente de dia dos namorados do meu pai. Aproveitei para escolher dois livros que há algum tempo estava pretendendo comprar, Arquitetura e filosofia de Mauricio Puls e A beleza sob suspeita, de Gilberto Paim. Acabei encontrando outro livro, Taipa canela-preta e concreto, obra como de costume muito interessante da arquiteta Lia Mayumi, sobre a atuação do IPHAN paulista na restauração de casas bandeiristas.

Como já estava comprando dois outros livros, sem contar as compras da minha mãe, resolvi pescar no livro de Mayumi uma, uma única, citação sobre a influência da ideologia modernista num projeto de restauração de Luiz Saia. Mal tinha eu terminado de anotar a referência bibliográfica do livro, antes mesmo de copiar qualquer trecho do livro, vem um atendente me interpelar avisando que era proibido copiar informações dos livros.

Resultado? Em vez de comprar dois livros, saí sem comprar nenhum. Tudo bem que um único cliente irritado é uma perda pequena comparada com o faturamento da Cultura, mas eu me pergunto: a livraria leva alguma vantagem em fazer cumprir essa política mesquinha? Para começo de conversa, graças à miserável quantidade de mesas — minúsculas — no café da livraria, sentar para estudar lá dentro é tarefa quase impossível. Além disso, as grandes livrarias dos Estados Unidos, Barnes & Noble e Borders Books & Music, têm sempre espaçosos cafés com amplas mesas onde todos podem estudar, e anotar, à vontade sem serem perturbados. Se isso fosse prejudicar a venda de livros, tenho certeza de que a pátria do capitalismo selvagem já teria coibido essa prática. No Brasil, o capitalismo, além de selvagem, é troglodita: a Fnac também tem uma política semelhante.

De qualquer forma, não é um leitor ávido com papel e caneta dentro da livraria que é responsável pela pirataria de livros. Quanto a isso, merece destaque uma parceria entre a Virgin e a Universal, no Reino Unido, que procura coibir a pirataria de arquivos mp3 por meio de uma assinatura mensal que permite ao usuário baixar quantas músicas quiser. A aposta é arriscada: até hoje o único serviço de compra de mp3 realmente bem-sucedido é o iTunes Store, da Apple. Mas mostra como o combate à pirataria só pode dar certo se feito com criatividade, e não mesquinharia.

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apoiado

Coisa mais absurda essa estória, cara. Se quiser escrever uma carta para o gerente da loja narrando o fato eu assino embaixo.
Na hora não dá para rebater - até porque ficamos constrangidos com o "pito" do vendedor. Mas acho que é o caso, sim, de enviar uma reclamação para a loja, à guisa de sugestão.
As livrarias da Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro do século XIX e do passado, não apenas permitiam a consulta extensa aos livros, como montaram espécies de "gabinetes de leitura" dentro de seus acervos. É óbvio: os habitués são compradores contumazes.
Povo burro...

Reclamação

Caro Pedro!

Te parabenizo pela crítica, pois somente assim é que poderemos modificar alguma coisa nesta terra.
A voracidade destes que estão aí não tem limites.
Temos mesmo que utilizar a arma deles, o mercado, a concorrência.
Um abraço.

Pois bem, meu caro. Graças às

Pois bem, meu caro. Graças às pessoas com papel e caneta na mão, tenho visto vários livros riscados e sublinhados. Se as pessoas tivessem mais educação, elas poderiam anotar pequenos trechos dos livros.

Grato.

Civilidade

É, o Brasil tem muito o que progredir em matéria de civilidade e respeito, e não é só do lado das empresas… 

 Arquiteto e Urbanista e sócio do Ábaco

Mais uma da Livraria Cultura (SP)

Comprei, por descuido, pelo site da Cultura, um livro em duplicata. Agora terei de formalizar queixa contra a livraria.

Roseli,

encontram-se a seguir instruções fornecidas pelo IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) para as suas providências – imediatas.
1. Embora a compra tenha sido feita pela Internet, ainda assim, ela se configura como negociação.
2. Você reclama de que eu teria feito 2 ou 3 pedidos do livro de Lenise Pinheiro, “Fotografia de Palco”. Pois bem, eu poderia ter encomendado 10 – 100 exemplares que eu teria o direito de arrepender-me do negócio (sem precisar informar o motivo que levou-me a desistir da transação), exigindo a restituição do dinheiro pago, devidamente corrigido, bem como do valor desembolsado para o frete (caso ele exista de fato). É uma lesão ao consumidor a deficiência de informação prévia sobre o valor de R$ 30,00, que, em nossa primeira conversa no telefone – quando você ainda estava observando os princípios básicos da boa educação, do respeito, do decoro, antes de ferir-me no meu pundonor, você, em momento algum, avisou-me dos R$ 30,00; neste caso, a cobrança não pode ser feita, já que eu não fui informado dela no primeiro telefonema. Se o frete for cobrado, ele deverá ser devolvido juntamente com o que foi pago pelo livro (valor corrigido, é óbvio).
Vou formalizar reclamação contra a Cultura (muito posivelmente responsabilizando-a por entravar imediatamente a questão a meu favor) nesse sentido (meu direito de arrependimento).
Por sua causa e culpa, por seu ato lesivo voluntário, perdi os 7 dias de prazo para a devolução do livro justamente por você não ter resolvido incontinente a questão: restituir-me o dinheiro pago (corrigido, repito) e fazer retirar o livro em duplicata, sem prejuízo para mim. Seja como for, em caso de eu não ser atendido no prazo de 5 (cinco) dias, por motivo exposto nesta mensagem eletrônica, formalizarei reclamação por escrito, enviada pelo correio.
Havendo silêncio ou negativa da sua parte ou da Cultura, não hesitarei em recorrer ao PROCON, órgão governamental competente para realizar intermediação entre comprador e fornecedor, ou para reorrer ao Juizado Especial Cível.
Já que você disse-me aos berros que não se intimida, que não teme nenhuma instituição de defesa do consumidor, faço questão de assistir à sua exposição de defesa.

P.S.: Não se esqueça: você tem apenas 5 (cinco) dias para cumprir a instrução do IDEC: restituir-me imediatamente meus R$ 164,00 (corrigidos); e a retirada do livro. E isso, sem nenhum prejuízo para mim.
P.S.: E seu e-mail do dia 6/5, em momento algum você comentou sobre a cobrança de R$ 30,00, até mesmo porque, em nossa conversa no telefone, você pediu-me para informar os dados da conta, pois a Cultura tem pressa para restituir os clientes algum dinheiro em haver. Quanto ao livro, depois você combinaria comigo qual o melhor dia e horário para mandar retirá-lo. Assim, o seu chilique não teve razão de ser, não teve propósito.

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