Engenharia de trânsito

Intolerâncias urbanas

Lago Sul de BrasíliaA maioria das cidades brasileiras tem que lidar constantemente com abusos urbanísticos das mais variadas formas. Eles vão desde ilegalidades flagrantes diante da legislação vigente até o desvirtuamento de normas em face de interesses imobiliários e empresariais imediatistas — com a conivência das prefeituras e câmaras de vereadores. Não é à toa que neste país se desejam predominantemente duas coisas: leis honestas, e fiscalização para que elas sejam cumpridas.

Brasília é, como em muitos aspectos, um caso à parte. Claro que temos nossa cota de abusos, como todas as outras. Mas, para comprovar o velho ditado de que é preciso tomar cuidado com o que se deseja, também conhecemos na prática o que acontece na situação oposta, quando o fervor legalista corre solto.

Asfaltar paralelepípedos não é progresso

Num país atrasado como o nosso, os antigos paradigmas do primeiro mundo de cinqüenta anos atrás, já há muito superados por lá, são o atual credo por nossas bandas. O caso de amor do Brasil com o asfalto, por exemplo, vai além de qualquer argumento racional quanto à utilidade desse material para a pavimentação das ruas. O asfalto, no Brasil, não é apenas um material: é um símbolo de uma certa idéia (retrógrada) de “progresso” que se impõe contra todas as evidências. Vide o caso de uma rua recentemente asfaltada em São Bernardo do Campo:

VLT em Brasília

Um projeto moderno, com visual agradável, e que promove a acessibilidade, coisa rara nos meios de transporte e locomoção atuais, e quem precisa deles que o diga. O VLT irá trazer conforto aos usuários e retirar da W3 os ônibus e vans que hoje, apesar de serem essenciais, causam transtornos não só ao trânsito como aos moradores e lojistas que têm que suportar a poluição do ar e a sonora. 

Melhorar o trânsito eliminando vias expressas

 Um artigo publicado hoje na revista The Infrastructurist mostra quatro estudos de caso nos quais o trânsito urbano melhorou depois que vias expressas foram destruídas, e não construídas. Deveria ser leitura obrigatória no Governo do Distrito Federal esses dias. O artigo cita efeitos bem conhecidos, como o da demanda induzida (a auto-estrada é o caminho mais curto até o próximo engarrafamento) e o de decisões individualmente racionais chegando a resultados coletivamente irracionais, para justificar o sucesso de alguns corajosos governos municipais que foram na contramão do senso comum e usaram o suado dinheirinho do contribuinte para fazer a coisa certa, para variar.

 

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