Pela reconstrução do Palácio Monroe

Já comentei em outra ocasião (no post Diferença entre um patrimônio histórico e um edifício descartável) sobre o triste destino do Palácio Monroe, antiga sede do Senado Federal no Rio de Janeiro, demolido em 1976 com a conivência de Lucio Costa. Pois ontem o leitor Antonio Veronese publicou (graças à Internet, que permite não só um mais amplo acesso à informação, mas também um mais amplo acesso aos veículos de imprensa) uma coluna no jornal O Globo intitulada Pela reconstrução do Palácio Monroe.

Os comentários à coluna são em sua avassaladora maioria favoráveis à idéia, com algumas ressalvas de que há destinos mais urgentes e humanitários para a verba necessária à reconstrução.

Uma iniciativa parecida existe na França, onde foi constituído até mesmo um “Comitê Nacional para a Reconstrução das Tulherias”, referindo-se ao antigo palácio real e imperial acoplado ao Louvre e que foi incendiado em 1870 durante a Comuna de Paris, após o que suas ruínas foram demolidas pelo governo republicano em 1883. O comitê afirma até ter um projeto arquitetônico pronto (que ninguém viu) mas está à espera de algum patrocinador interessado em bancar a iniciativa, já que o presidente da república anterior, Jacques Chirac, gostou da idéia mas não se comprometeu.

O projeto de reconstrução do palácio das Tulherias tem enfrentado grande oposição nos meios artísticos, e um editorial na Revue de l’Art (2009/1) assinado pelos historiadores da arquitetura Claude Mignot e Alexandre Gady expõe várias objeções consistentes ao projeto. A mais convincente é a constatação de que, passado mais de um século da sua destruição e da reconfiguração do paisagismo no sítio, o palácio das Tulherias deixou de fazer parte da memória urbana de Paris.

No caso do palácio Monroe, cabe levantar a questão uma vez que, ao contrário do que aconteceu em Paris, aqui o monumento perdido ainda é lembrado por muitos cariocas que o conheceram antes da sua destruição. Os protagonistas desse desaparecimento, Lucio Costa e o ex-presidente Geisel, um ainda incensado pela comunidade arquitetônica e o outro lembrado mais por seu legado político, são ainda mais conhecidos nacionalmente do que a demolição que ambos propiciaram. Pessoalmente, não vou (por enquanto) fazer campanha a favor da reconstrução, mas farei campanha pela abertura do debate.

E, se há um momento oportuno para se iniciar debates, é esse, em que se discute, em torno do Twitter do governador paulista José Serra e diversos artigos de jornal, a restauração e eventual reconstrução de São Luiz do Paraitinga e outras cidades históricas afetadas pelas recentes chuvas. E, por que não, a controvérsia em torno do Plano Nacional de Direitos Humanos (3ª versão) e a sua polêmica idéia do que seja o direito à memória e à reparação.

Por sinal, note-se que uma das características marcantes na discussão sobre as Tulherias foi justamente a abertura do debate, que se desenrolou entre jornais de grande circulação e revistas especializadas. No Brasil, infelizmente, a regra costuma ser abafar o debate e calar as vozes dissonantes. Aqui, deve ser ressaltada a integridade moral da redação do jornal O Globo, cujos antecessores juntaram-se (talvez por interesse, talvez por pressão política) à campanha pela demolição do palácio, ao abrir espaço para o comentário do leitor.

Comments

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Palácio Monroe

Não o vi em pé, pois tinha três anos de idade quando o Palácio foi demolido, mas acho que talvez tenha sido um dos maiores crimes já cometidos contra o patrimônio histórico no Brasil. Dá um sentimento misto de revolta e tristeza.

Confesso que ao saber da verdade sobre os mandantes, fiquei furioso com o Jornal, pois não sabia da campanha feita por eles, mas, como foi dito neste artigo, foram os jornalistas antecessores, a mando da direção daquela época. Quanto ao fato do Globo ter aberto espaço, fez e poderia fazer mais, que tal um pouco de mea culpa? Quando se referem ao palácio, coisa rara, é como se não tivessem nenhuma participação, basta ver em: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM402510-7823-HISTORIA...

Infeliz destino do palácio, ter como carrasco o inimigo de seu criador. Reconstrui-lo? não sei se é uma boa ideia. Talvez seja melhor o "vazio" daquela praça, pra nos lembrar do que a estupidez humana é capaz. Mas se for, o mais fiel possível ao original, será muito bem-vindo. Gostaria de conhecê-lo, já que me tiraram esse direito.

Falemos mais dele e de tantos outros que foram ao chão.

Saudades de uma palácio que não cheguei a conhecer.

Meus 39 anos me permitiriam, ainda pequenino, ter visto e me deslumbrado com o Monroe, mas se o vi algum dia, não me lembro. Me sinto roubado. Belo edifício.

Tenho uma foto dele de um ângulo singular (visto da rua Santa Luzia). Quem tiver um blog sobre Rio antigo e quiser publicar, basta entrar em contato. lz.claudio@terra.com.br
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sem passado

Acho que os nossos antigos politicos e pessoas influentes da sociedade não tinham nehum respeito com a memória do rio, digo isso em relação ao palácio monroe e principalmente em relação a derrubada do morro do castelo.

Uma Fenix

Nasci no mesmo ano em que o palacio foi demolido. A pouco estive no lugar vazio da praça onde o mesmo existia, e fiquei imaginando a insensatez e o descaso das autoridades publicas de privarem as novas gerações de conhecerem o seu proprio passado. No meu caso, esse direito de ver e sentir o passado me foi retirado. É justo que se reconstrua o palacio, seria uma grande lição e redenção para com o passado cultural do Rio de Janeiro.

Olha eu sou contra a

Olha eu sou contra a reconstrução do Palácio Monroe. 1º por que todo o patrimônio dele está espalahado pelo país por conta de leilões e até mesmo roubo aos pés dos escombros. e 2ª para provar que o povo brasileiro não ciuda do patrimônio histórico que tem, todas as partes antigas de cidades como Recife e Salvador estão apodrecendo e sem cuidados.

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