Passeios Arquitetônicos Inusitados 01
O Instituto Central de Ciências (ICC) da Universidade de Brasília, de autoria de Niemeyer e Lelé, foi construído em 1961. Popularmente conhecido como minhocão - por possuir 720 metros de comprimento - é um edifício de 2 alas longitudinais compostas por pórticos tranversais de concreto com vigas protendidas. Estas alas possuem suas duas extremidades retas e a parte central arqueada.
Na prática é um grande edifício originalmente destinado às ciências puras, mas, que ao longo do tempo foi sendo assimilado para diversos outros usos. Na hora em que se necessita mais espaço, em vez de se construir algo novo, sempre sai mais barato amontoar-se em um edifício existente, mesmo que isso leve à invasão das áreas públicas e à construção de "puxadinhos". No fim das contas, no minhocão sempre cabe mais um.
Além de ser um edifício de importância histórica, é de grande interesse arquitetônico pela engenhosidade de sua resolução estrutural e, conseqüentemente, espacial. Vale notar a riqueza do ritmo de suas colunas, a generosidade de seu corredor central, com amplos jardins internos, e que apesar de seu tamanho, devido à sua acentuada horizontalidade, é bastante suave na paisagem.
Obviamente, o custo destas soluções arquitetônicas se rebate em diversos aspectos de sua construção e manutenção, como por exemplo, no uso da estrutura em concreto aparente (que o torna um “laboratório” de patologias), na existência de grande área de contato do edifício com o solo (mais impermeabilização, escavação, fundações), e na grande área de cobertura (mais impermeabilização e maior aquecimento natural), entre outros.
Esta cobertura é composta pelas vigas protendidas em forma de “T” dos pórticos de concreto, que escoam a água para a calha embutida entre elas. Estas vigas provavelmente são impermeabilizadas e cobertas com uma camada de argamassa para proteção.
É um espaço incrível; não foi projetado como terraço habitável mas tem uma vista fantástica para o Lago Paranoá e para o entorno. Veremos o nobre uso que se faz destes milhares de metros quadrados de cobertura .
Pelo visto o único ser vivo que está aproveitando a vista é uma forma de vida vegetal que se procriou na argamassa porosa da cobertura e que provoca o desplacamento da mesma.
Os usuários fizeram uma ampliação da cobertura com elementos metálicos para abrigar puxadinhos no mezanino, que antes era aberto.
Ainda que sem a genialidade de Gaudí, foram instaladas “torres” de ventilação (mais precisamente exaustores) para atender às novas demandas do prédio. Notem que estas furam as vigas de concreto protendido.
Para complementar as "escultóricas" torres de exaustão e, quem sabe, criar um jogo de formas livres, foram instalados diversos equipamentos como antenas e caixas d´água.
Serve também como depósito de material de construção - ou talvez como lixão mesmo - pois esqueceram alguns montes de entulho.
Atualmente estão em construção diversos edifícios novos no Campus que irão descongestionar o ICC; entretanto, os arquitetos não ousam tocar no projeto dos grandes mestres, que está inacabado e degradado e, portanto, nem cogitam a possibilidade de intervenção no minhocão. Por fim, o ICC é um edifício em uma situação bastante delicada, ainda mais pelo fato da Universidade ser bastante permissiva quanto ao uso irregular de seus espaços, e não prover praticamente nenhuma manutenção.
mais fotos do ICC aqui
referências fotográficas
imagem 01 - ICC Geral www.infobrasilia.com.br
imagem 02 à 08 - autor: Cléber Figueiredo
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